Fases de Goa - Serigrafia - Júlio Resende

Produto n.º: 502all
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Júlio Resende (1917-2011) - 

Serigrafia sobre papel, assinada, série 21/200, motivo "Fases de Goa", com 18x25 cm - (moldura 25x30)

 

Fez a sua primeira aparição pública em 1944 na I Exposição dos Independentes. 

Em 1948 partiu para Paris. Do geometrismo ao não figurativismo, do gestualismo ao neofigurativo, a sua arte desenvolve-se numa encruzilhada de pesquisas, cuja dominante será sempre expressionista e lírica. Cavaco Silva referiu-se a ele como "grande Mestre da Arte Portuguesa do último século". Morreu no dia 21 de Setembro de 2011 aos 93 anos

 

"Figura incontornável da arte portuguesa do séc. XX, Resende é um pintor de transição entre o figurativo e o abstracto com uma vasta obra pictóricaA sua pintura perde-se no tempo e na memória, criando universos intimistas onde a realidade serve de suporte ao gesto criativo", refere o texto. 

A primeira exposição de Júlio Resende acontece em 1946, em Lisboa, cidade onde conhece Almada Negreiros. Volta a viver no Porto em 1951, ano em que ganha o prémio especial na Bienal de S. Paulo. O tema principal da sua pintura é, na altura, a gente do mar.

Professor do ensino secundário, arrecada em 1952 o Prémio da 7.ª Exposição Contemporânea dos Artistas do Norte, ano em que também executa um fresco da Escola Gomes Teixeira, Porto e faz investigação sobre desenho infantil.

"O desenho é expressão de um consciente que o particulariza", lê-se no site da Internet da Fundação Júlio Resende, instituição onde está reunido um espólio de cerca de dois mil desenhos do artista português. "Que o desenho seja entendido no seu mais amplo sentido. Não apenas restrito às artes-plásticas mas a todas atitudes criativas do homem. Não é monopólio de qualquer época nem de qualquer sociedade", afirmou o artista,  responsável pela ilustração da obra de Fernando Namora "Retalhos da Vida de um Médico".

Pintura de cariz social e humano

 

Júlio Resende concluiu a Escola Superior de Belas-Artes em 1939. Visita Madrid e Paris, onde contacta com a pintura de Goya e Picasso, que irão influenciar a sua obra de estilo expressionista à qual se associa uma pintura dinâmica, geometrizante, que caminha progressivamente para a abstracção, assumindo algum cubismo picassiano, diz o texto de divulgação da exposição que amanhã inaugura em Lisboa.

Segundo o mesmo documento, de regresso a Portugal, na sua passagem pelo Alentejo (1949-1952) desenvolve uma estrutura pictórica triangular, onde o quotidiano é retratado de forma geométrica e por vezes quase abstracta.

Volta ao Porto e inicia um estilo novo, com um registo rectangular e pincelada mais solta e leve. Destaca-se em qualquer dos casos o carácter humanista dos seus quadros, em que a temática do trabalho e a vertente social são dominantes.

Renovador constante, após esta fase inicial com um discurso pictórico rígido em que pinta a vida pesarosa, difícil e cinzenta do povo, em 1971 viaja pelo Brasil e posteriormente África e Goa, responsáveis por uma nova mudança no seu estilo de pintura que privilegia agora a diagonal, base formal dos seus quadros onde a figura humana constitui elemento central, tornando-se o quotidiano tema constante.

Rapidamente se apercebe da importância da cor na vida árdua destas populações, dando-lhes ânimo para a encarar. Sente a necessidade de "mergulhar os pincéis no arco-íris" (Adriano Gusmão) com uma pintura mais espontânea, cheia de cor, atitude de grande sabedoria e humanismo com que quer ajudar o povo a ultrapassar a sua dura realidade.

Nunca é demais realçar o cariz fortemente social e humano da sua pintura "tudo o que sei aprendi com o meu semelhante, desde o mais humilde ao mais sábio" afirmou o artista, para quem a arte era "um sinal de vida (...) e um caminho para um mundo mais fraterno".

Fama internacional

 

Com uma carreira diversificada - pintura a fresco, vitral, painéis cerâmicos, ilustração de obras literárias e cenários teatrais - conta com uma numerosa obra mural, com destaque para a "Ribeira Negra" e a estação de Sete Rios do Metropolitano de Lisboa. Foi, ainda, director artístico do Grande Espectáculo de Portugal na Exposição Mundial de Osaka, em 1970.

Entre várias distinções salientam-se: Prémio Nacional de Pintura da Academia de Belas-Artes, Prémios Armando de Basto e Sousa Cardoso, Prémio Especial da Bienal de Arte de S. Paulo, 1º lugar no Concurso para o Monumento ao Infante D. Henrique, Medalha de Prata na Exposição Internacional de Bruxelas, 1º Prémio de Artes Gráficas na X Bienal de S. Paulo. Recebeu a Medalha de Ouro da Cidade do Porto, o Grau de Oficial da Ordem de Santiago de Espada em Portugal e da Ordem de Mérito Civil do Rei de Espanha, entre outras.

A obra de Júlio Resende está representada no Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Helsínkia ( Finlândia), Museu Aalesund Kubstforening (Noruega), Biblioteca Real Alberto (Bruxelas), Gabinete de Estampas (Antuérpia), sede da Unesco (Paris) e Museu Marítimo de Macau. E também no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian ( Lisboa), Museu Regional de Évora, Museu de Ovar, Museu Amadeo de Souza-Cardoso ( Amarante) e, ainda, Museu de Arte Contemporânea de Lisboa. 

Até ao dia 9 de outubro, na Galeria do Acervo, podem ser vistos os 33 estudos para o painel cerâmico da estação Sete Rios do metropolitano de Lisboa, que é da sua autoria. A exposição "A Intuição Atenta à Razão" abriu há quase um ano.

Num texto de apresentação, publicado no site da Fundação Júlio Resende, o artista diz que o objetivo foi tornar o espaço "animado como uma continuidade do clima exterior". Júlio Resende explica que "dada a proximidade do Jardim Zoológico, entendi natural que a vida animal e vegetal servissem de motivação no tratamento das paredes e dos pavimentos. Os estudos foram feitos à exaustão mas a execução foi de um grande improviso respeitando o princípio que nenhum  sinal é repetível!... Os azulejos foram realizados na Fábrica Viúva Lamego, em Sintra, onde sempre encontrei o melhor ambiente de trabalho e consideração".


 

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